A prova de carga bidirecional é um ensaio de fundação em que uma célula expansiva, instalada dentro da estaca durante a execução, empurra ao mesmo tempo o trecho superior para cima e o trecho inferior para baixo, medindo separadamente o atrito lateral e a resistência de ponta. Na Torre 1 do Wave Garden Residence Club, no Eurogarden Maringá, a SISA Construções Civis, construtora de Maringá (PR) fundada em 1970, submeteu a primeira estaca da obra a esse ensaio, com especialistas da Arcos, estudantes, professores e engenheiros acompanhando em campo.
O que é a prova de carga bidirecional?
A prova de carga estática serve para determinar capacidade de carga, deslocamentos e transferência de carga de uma fundação profunda, segundo artigo de Paulo José Rocha de Albuquerque (Unicamp) e Graziela Santolia da Silva sobre as normas brasileiras de ensaio. A ABNT NBR 16903, publicada em 2020, especifica o método de ensaio para prova de carga estática em fundações profundas. No formato convencional, a carga é aplicada no topo da estaca, o que exige um sistema de reação capaz de resistir ao esforço aplicado.
O ensaio bidirecional muda o ponto de aplicação da carga. Segundo artigo apresentado no XX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (COBRAMSEG 2022) por pesquisadores da Arcos Engenharia de Solos e da Unicamp, as células expansivas são instaladas na estaca durante a execução e acionadas por um sistema hidráulico na superfície, "dispensando a construção de um sistema de reação". O resultado são duas curvas carga-deslocamento, "como se duas estacas tivessem sido ensaiadas simultaneamente".
De onde vem o método?
A metodologia teve início na década de 1980. Os registros pioneiros são os trabalhos de Silva (1983 e 1986), no Brasil, e de Osterberg (1989), nos Estados Unidos, conforme a revisão publicada em 2023 no Seminário de Engenharia de Fundações Especiais e Geotecnia (SEFE). Em artigo de 2018 na Revista Geotecnia, Thaís Lucouvicz Dada e Faiçal Massad registram o uso crescente do ensaio "na verificação do comportamento de estacas carregadas axialmente".
Que informações o ensaio entrega à engenharia?
Os artigos técnicos consultados apontam quatro ganhos:
- Separação das parcelas de resistência: o ensaio mede de forma independente o atrito lateral do fuste e a resistência de ponta.
- Transferência de carga: com carga zero no topo do trecho superior, é possível estimar como a carga se distribui ao longo do fuste.
- Cargas residuais: o método ajuda a identificar cargas residuais na estaca.
- Controle de execução: o ensaio pode revelar falhas executivas, como rugosidade irregular da parede, concretagem inadequada e uso inadequado de ferramentas.
Para uma torre alta, essas informações têm valor direto. Elas confrontam as premissas do projeto de fundações com o comportamento real do solo e da estaca executada.
Como foi o ensaio no Wave Garden?
O episódio 02 da série Diário de Obra Até Tocar o Céu registra a etapa. A legenda descreve "a fase de testes da primeira estaca, com prova de carga bidirecional, equipe técnica em campo, especialistas da Arcos, estudantes, professores e engenheiros acompanhando de perto um momento raro da construção". O mesmo texto lista o que entra nessa etapa: "a escavação, a ferragem, o concreto, os dados, o laudo".
Uma publicação anterior do perfil do Wave Garden registra que a etapa "atraiu estudantes e pesquisadores para contemplar ao vivo" um projeto de proporções conhecidas "só na teoria". A mesma publicação cumprimenta a SISA "por abraçar um desafio dessa magnitude".
Por que realizar a prova de carga em estaca no início da fundação?
A primeira estaca funciona como validação. O ensaio confirma, com dados de campo, a capacidade de carga considerada no projeto, antes que o restante da fundação seja executado. Se os resultados indicarem ajustes, eles chegam em tempo de serem incorporados.
Esse cuidado tem relação direta com a escala da obra: a Torre 1 do Wave Garden terá 26 andares, segundo o portal O Maringá. A sequência registrada na série, com escavação, ferragem, concreto, dados e laudo, reduz a incerteza na etapa que sustenta todo o edifício.
O que esse cuidado revela sobre o método da SISA?
A decisão de ensaiar a fundação com um método que exige especialistas, instrumentação e análise técnica mostra uma construtora que trata a fundação como etapa de engenharia aplicada. A SISA aplica o mesmo princípio em outras frentes do Eurogarden: no condomínio Quinta dos Plátanos, a série em vídeo da obra mostra a perfuração e a concretagem das estacas do pórtico de entrada, com o lembrete de que a qualidade também se constrói "nos processos que depois deixam de ser visíveis".
A abertura do canteiro a estudantes e professores também aproxima a construtora em Maringá do meio técnico da cidade. Para conhecer o andamento da torre, acesse /obras/wave-garden-residence-club. O contexto do bairro está em /obras/eurogarden-maringa, e as frentes técnicas da construtora em áreas de atuação. Para falar sobre fundações de um projeto, use a página de contato.
Perguntas frequentes
O que é prova de carga bidirecional?
É um ensaio de fundação em que células expansivas instaladas na estaca aplicam carga em dois sentidos, medindo separadamente o atrito lateral e a resistência de ponta, sem necessidade de sistema de reação no topo.
Quem acompanhou o ensaio no Wave Garden?
Segundo o episódio 02 do Diário de Obra Até Tocar o Céu, a equipe técnica, especialistas da Arcos, estudantes, professores e engenheiros.
Qual estaca foi testada?
A primeira estaca da Torre 1 do Wave Garden Residence Club, no Eurogarden Maringá.
Onde assistir ao registro do ensaio?
No episódio 02 da série Diário de Obra Até Tocar o Céu, publicado no Instagram do Wave Garden Residence Club.
Fontes consultadas
- Instagram Wave Garden: Diário de Obra Até Tocar o Céu, episódio 02
- Instagram Wave Garden: recorte do episódio sobre os testes
- Instagram Wave Garden: segundo corte do episódio 2
- Instagram Wave Garden: etapa que atraiu estudantes e pesquisadores
- Resende, Barbosa, Chaves e Albuquerque. Avaliação de desempenho de estacas escavadas em ensaios bidirecionais. COBRAMSEG 2022 (Arcos Engenharia de Solos e Unicamp)
- Resende, Chaves, Freitas e Albuquerque. Ensaio bidirecional. SEFE 2023 (Arcos Engenharia de Solos e Unicamp)
- Dada e Massad. Ensaio bidirecional: características, interpretação e estudos de casos. Revista Geotecnia n.º 143, 2018
- Albuquerque e Santolia. Artigo sobre normas de prova de carga, SEFE 10 (Unicamp)
- ABNT NBR 16903: Solo, prova de carga estática em fundação profunda
- O Maringá: Lançamento do Wave Garden (03/09/2025)



